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Conheça os métodos para calcular o valuation de uma empresa

Avaliar uma startup ou uma empresa que ainda não começou suas operações é um processo desafiador e até “misterioso”. Exemplos disso são empresas como a Uber, que foi avaliada há três anos em U$82 milhões, mesmo sem nunca ter obtido lucro durante uma década. 

Com isso, podemos entender que calcular o valor de uma empresa é um processo longo e individual, que podem envolver diferentes métodos e avaliações para chegar no valor final de venda. Se você está procurando um comprador ou buscando investimentos para sua empresa, entender como são feitas as avaliações vai permitir que você garanta a melhor negociação e saia satisfeito dessa transação. 

Neste artigo, você vai entender alguns métodos e cálculos que são feitos para chegar ao valuation final de uma empresa. Confira: 

  • Avaliação Pré-Money: 

Essa avaliação é feita antes de uma empresa receber investimentos externos. Ou seja, os possíveis investidores levantam pesquisas e apresentam cálculos baseados no que eles acreditam que a empresa vale. Com isso, a empresa pode recusar essa oferta e aguardar por uma avaliação pré-money mais alta, de outro grupo de investidores. 

Por outro lado, existe a avaliação “Pós-Money”, que é o valor de uma empresa depois de receber o investimento. Utilizar uma ou outra avaliação, faz diferença no quanto o investidor irá aportar no negócio e quantas ações ele poderá ter a partir do valuation.

Exemplo: Uma startup possui uma avaliação pré-money de US$1 milhão, e recebe o investimento de US$250 mil. Com isso, a avaliação pós-money será de US$1,25 milhão, e o investidor receberá 20% da empresa (250 mil / 1,25 milhão). 

Em contrapartida, se US$ 1 milhão for uma avaliação pós-money, o investidor terá 25% do negócio. 

Importante: as avaliações pré-money são diferentes das avaliações pré-receita, que são feitas quando a empresa ainda não fez nenhuma venda. 

 

Então como chegar ao valuation de uma startup? Entenda: 

  • Avaliação para negócios Pré-Receita: 

Pré-receita significa uma avaliação antes das vendas e ganhos de uma empresa e, nestes casos, não existem métodos ou fórmulas padrão. Alguns investidores consideram fatores como o tamanho do mercado um fator decisivo, enquanto outros acreditam ser uma abordagem muito mais instintiva e menos calculista. Para quem opta por técnicas mais tradicionais e exatas, uma possibilidade é o Método de Avaliação Scorecard ou Método Berkus. 

 

  • Scorecard Valuation: 

O primeiro passo é calcular a avaliação pré-money média para empresas do mesmo setor e região, e avaliar as recentes rodadas de investimento, financiamento e aquisições das empresas. Em seguida, você compara a startup com outras empresas do mesmo setor e região, seguindo as variáveis: 

  • Força da equipe de gestão (0-30%)
  • Tamanho da oportunidade (0-25%)
  • Produto/Tecnologia (0-15%)
  • Ambiente competitivo (0-10%)
  • Canais de marketing, vendas e parcerias (0-10%)
  • Necessidade de investimento adicional (0-5%)
  • Outros, como feedback de clientes (0-5%)

 

*As porcentagens representam a relevância relativa de cada variável. 

 

Se você determinar que a equipe é 25% melhor do que seu concorrente médio, utilize 125%. Neste caso, a força da equipe e gestão representa de 0 a 30% da pontuação total, portanto, para calcular a média da sua empresa em relação ao concorrente, multiplique os 125% por 30% (relevância máxima deste fator): O resultado é 0,375.

Faça isso para uma das variantes e você terá a pontuação total. Depois disso, some todos os resultados e multiplique pela linha de base do valor de startups do seu setor. 

Exemplo – Vamos supor que este foi o resultado dos seus cálculos:

  • Força da equipe de gestão: (0-30%): 125% – 0.375
  • Tamanho da oportunidade (0-25%): 120% – 0.3
  • Produto/Tecnologia (0-15%): 180% – 0.27
  • Ambiente competitivo (0-10%): 70% – 0.07
  • Canais de marketing, vendas e parcerias (0-10%): 105% – 0.11
  • Necessidade de investimento adicional (0-5%): 100% – 0.05
  • Outros, como feedback de clientes (0-5%): 110% – 0.06

 

A soma da sua pontuação é de 1,24. Para chegar ao valor final, você multiplica esse valor pela linha de base (média de valor das startups da sua região). 

Exemplo: Startups médias nos EUA valem em torno de US$10 milhões. Portanto, o cálculo seria: 1,24 x US$10 milhões = US$12,4 milhões é o que vale sua startup. 

 

  • Método Berkus: 

Seguindo o mesmo raciocínio, o Método Berkus aloca um valor numérico para as variáveis que são difíceis de mensurar. A versão é baseada na suposição de que um negócio pré-receita vale, no máximo, US$2,5 milhões, mas os valores e as variáveis podem ser reajustados de acordo com as tendências do setor e do mercado. 

As variáveis deste método são: 

  1. Boa ideia (Valor base): US$0.5m
  2. Protótipo (Reduzindo o risco de tecnologia):  US$0.5m
  3. Força da equipe de gestão (Reduzindo o risco de execução):  US$0.5m
  4. Parcerias (Reduzindo o risco do mercado):  US$0.5m
  5. Lançamento ou venda de produtos (Reduzindo o risco do produto):  US$0.5m

 

Exemplo: Uma startup do setor da saúde recebeu já investimento inicial, mas ainda não gerou receita para a empresa. Imaginando que um negócio nesse estágio valha em torno de US$5 milhões, sugere que você deve alocar até US$1 milhão para cada variável. 

Imaginando que essa empresa tem:

  1. Uma boa ideia de negócio (US$1 milhão)
  2. Um protótipo que precisa ser melhorado (US$0,5m)
  3. Grande experiência dos sócios (US$1 milhão)
  4. Parceiros importantes e relevantes (US$1 milhão)
  5. Ainda não fizeram lançamentos ou vendas (US$0)

 

Com isso, a soma das variáveis seria de US$3,5 milhões. Além destes fatores, a capacidade do proprietário de lançar produtos e a quantidade de investidores interessados também é levado em consideração neste processo, portanto, é importante que o maior número possível de interessados seja consultado, para que o proprietário possua diferentes ofertas concorrentes. 

 

  • Avaliação para empresas que já geram receita

Ao começar a geração de receitas, a avaliação é baseada em dados financeiros. Podem ser avaliados: 

  • Rendimento total
  • Crescimento mensal de vendas
  • EBITDA (lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização)
  • CLV (tempo de vida de um cliente)
  • Fluxo de caixa
  • Churn rate (perda de clientes em um período de tempo)
  • Taxa de queima (a velocidade com que uma empresa consome de dinheiro antes de gerar lucro)
  • Custo de aquisição de cliente

 

  • Método Múltiplo de Receita 

Este método é baseado na suposição de que ativos semelhantes possuem valores semelhantes. Sendo: 

Valor do negócio = receita múltipla x receita após 12 meses (TTM)

 

Estes múltiplos de receita são baseados no desempenho de outras empresas do mesmo nicho, em que os investidores conseguem identificar os múltiplos que empresas de capital aberto estão negociando, assim como os múltiplos pelos quais as empresas privadas foram vendidas. 

Exemplo: uma empresa do nicho de saúde animal pode ter sido avaliada em 4-5x a receita no ano passado, porém, o nicho não se desenvolveu tão bem no ano atual, e o múltiplo recuou para 3,8-4,5x. 

Além destes números, fatores como participação de mercado, tendências e fontes de tráfego, podem ser fatores a serem avaliados, apesar de poder não gerar tanto impacto na avaliação, a não ser que exista uma grande fraqueza em termos de negócio. 

Dessa mesma maneira, é possível aplicar os múltiplos nas outras métricas citadas acima, como EBITDA ou o lucro líquido, e chegar ao resultado da avaliação. 

 

  • Método: Fórmula Capitalização de Mercado

A fórmula consiste em multiplicar o número total de ações em circulação pelo preço de uma ação. Um exemplo é a Microsoft, que tem 7,45 bilhões de ações em circulação e um preço médio de US$279. Com isso, o valor de mercado da empresa é de US$2,08 trilhões. 

 

  • Método: Fluxo de Caixa Descontado

Este método envolve a projeção do fluxo de caixa futuro de uma empresa, descontando o atual para o obter o valor presente. A fórmula seria: 

  • Fluxo de Caixa Descontado = CF1 / (1+R) + CF2 / (1+R) + CFn / (1+R)6

Sendo: 

  • CF1: Fluxo de Caixa do primeiro ano
  • CF2: Fluxo de Caixa do segundo ano
  • CFn: Fluxo de Caixa dos anos adicionais
  • r: Taxa de desconto

O fluxo de caixa futuro é calculado com base no saldo de caixa disponível atualmente, somado a uma estimativa de quanto dinheiro entrará com as vendas, subtraindo os custos esperados. Como estamos falando de uma estimativa, os valores deste método podem não ser precisos. 

O Custo Médio Ponderado de Capital, geralmente, é usado para calcular a taxa de desconto. Essa taxa é a média que uma empresa espera pagar para financiar seus ativos. Como: 

  • Taxa de juros paga sobre sua dívida
  • Taxa de retorno que os investidores exigem nos investimentos
  • Taxa de imposto paga sobre a receita
  • Relação entre dívida e patrimônio de uma empresa

 

  • Método: Soma de Fatores de Risco

Este método é baseado em 12 áreas de risco associadas a um investimento. Assim como o método Scorecard que falamos acima, é preciso estabelecer uma linha de base e, em seguida, atribuir uma pontuação a cada fator. A pontuação segue a regra:

  • -2: muito negativo
  • -1: negativo
  • 0: neutro
  • +1: positivo
  • +2: muito positivo

Cada pontuação representa um valor a ser adicionado ou subtraído ao valuation da empresa, sendo:

  • -2: -500k 
  • -1: -250k 
  • 0: 0
  • +1: +250k
  • +2: +500k

As 12 áreas de risco são: 

  1. Gestão
  2. Fase do negócio
  3. Financiamento/Capital
  4. Fabricação
  5. Tecnologia
  6. Concorrência
  7. Vendas e Marketing
  8. Legislação/Política
  9. Litígio
  10. Internacional
  11. Reputação
  12. Possível Saída Lucrativa

Para chegar ao valor, deve-se estar quais fatores impedem ou impulsionam o negócio a crescer e fazer as somas ou subtrações adequadas. 

 

  • Método: Custo para Duplicar

O próprio nome já diz o que essa avaliação representa, ou seja, quanto custaria para construir este mesmo negócio do zero? O cálculo deve incluir todas as despesas do desenvolvimento de produtos/serviços, assim como os ativos físicos do negócio, como escritórios, fábricas, etc. 

Este método é totalmente baseado em ativos tangíveis e não inclui fatores como valor de marca, experiência dos funcionários ou patentes e potencial futuro do negócio. Com isso, o custo para duplicar geralmente resulta em avaliações baixas, por excluir as perspectivas de empresas inovadoras conquistarem mais espaço de mercado. 

 

Como fazer para ter uma avaliação mais alta do seu negócio?

  • Não fale com o melhor perfil de investidor na primeira semana de captação de recursos. Refine seu discurso com outros investidores e deixe-o por último. 
  • Não desanime se os investidores não escolherem seu negócio. Eles podem estar reduzindo custos, mas ainda existe capital disponível para ser investido no seu negócio. 
  • Pense além das avaliações para escolher um investidor. Considere as propostas que eles levam em termos de experiência e visão de cada um e como eles irão financiar o investimento que farão no seu negócio. 
  • Busque operar de maneira mais lucrativa possível, mantendo um crescimento constante antes de vender seu negócio. 
  • Minimize todas as falhas antes de tentar vender ou captar recursos, pois isso fará seu negócio valer mais.
  • Seja paciente! Não pule na primeira oferta. 

 

Se você ainda ficou com alguma dúvida sobre os métodos de avaliação de uma empresa, entre em contato com a Valuation Brasil e descubra quanto vale seu negócio!

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